C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ALIENADO
Eu ouço a tua voz a centenas de milhas
E sinto a sutileza da tua fragrância
Fazendo-me encurtar a carrascal distância
Que lança a minha carne à mesa das matilhas.
O sono, a fome e a sede fugiram impulsivas
Do meu corpo ignóbil, frio e cataléptico
Que abriga um coração plangente e epilético
Morrendo na amplidão das crises convulsivas.
Afogando-me nesse mar de nostalgia
Devorado por ondas de hipoglicemia
E vendo que minh’alma geme, sofre e some...
Insignificante amante eu me retiro
Balbuciando no derradeiro suspiro
As letras magistrais do teu divino nome.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 30/04/2008
Alterado em 17/02/2015 Comentários
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