C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

 

C'est Fini...

 

O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro 

Desabrochou e permitiu que os beija-flores

Partissem sem deixar vestígios nos sensores

De presença, no vão sombrio que administro.

 

Recolho-me à minha insignificância

E inundo com meu pranto, o páramo sidéreo

Que me devolve em canto lírico e funéreo 

Os restos do que eu fui, ecoando na distância.

 

E assim hei de vagar por toda a eternidade

Mascote do fracasso e escravo da saudade 

Com o âmago sangrando a tiritar de frio

 

Convivendo em necrópoles com os que morreram

Em vida, e suas células apodreceram

À sombra cruciante do cipreste esguio.

 

Nizardo Wanderley

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