C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


Faúlha
Sobrevivi às sombras, vales e montanhas Com alma exposta à sorte em fados momentâneos E o coração cativo em vales subterrâneos Teve adagas fincadas nas suas entranhas.
Não há conexão na trama neuronal E toda inspiração que conspirou-me a trama Convergiu na amplidão do doloroso drama Brindado com cicuta na marcha final.
E eis que o universo me dá nova chance De mergulhar, às cegas, num dúbio romance Que, por acaso, surja à luz do desatino
Locupletando dois espíritos tristonhos Que despertaram dos seus sonhos enfadonhos Ao som da magistral trombeta do destino. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 28/10/2023
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