C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


RESTO DE AMOR...
Parece que é o fim, teu beijo me diz tudo...
E o teu corpo insolvente nega-se a pagar
O que me prometeste, e o que me fez te amar,
Falece sutilmente e eu inda me iludo...
Até quando dormimos eu sinto a falência
Na tua forma fria e nula de deitar,
Pois quando eu tento, em vão o teu corpo abraçar,
Teu corpo se desvia e eu noto a tua ausência.
Mas continuo sendo o ser que eu sempre fui
E serei sempre aquele que ama e possui
A lembrança do teu beijo e do teu sabor!
Por isso é que eu estou tentando resgatar
Aquele amor antigo que faz soluçar
Quem já sorriu feliz e hoje chora de dor...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 28/10/2007
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