C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


TESÃO LOIRO...
Cobiço-te e possuo os teus lábios sublimes
Na vasta sensação de haver-te dominado
Por entre os meus delírios e sonhos de um fado
Que o teu corpo ditoso e sensual exprime.
E eu lambo o teu suor como se fora a sêmea
Passada nas peneiras dessa derme ardente
E sugo em tua boca prazerosamente
O suco salutar dessa ofegante fêmea.
E eu entro no teu quarto pela madrugada,
Deitando-me na cama em que já estás deitada,
Beijando a tua boca com tara e fervor...
E pra não te acordar eu saio de mansinho,
Mas antes de deixar o teu amado ninho,
Deixei dentro de ti gotas do meu amor...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 23/10/2007
Alterado em 01/01/2008 Comentários
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