C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

DOCE FÊMEA
 
Por onde essa menina passa deixa um rastro
De sensualidade e fome de desejos,
Que nós, mortais, ficamos a roubar-lhe beijos
De longe, como quem contempla um lindo astro.
 
A cútis que lhe envolve é feita de magia
E o hormônio produzido em seu interior
Emoldura o lascivo ninho de esplendor
Coberto com os cetins da sua fidalguia.
 
O seu olhar sublime é invólucro de luz
Que nos causa delírio e aos sonhos nos conduz
Numa viagem lúdica, tesuda e louca...
 
Quem me dera conhecer seu corpo de cor
Para comer nos poros todo seu suor,
Depois beber o mel no céu da sua boca.
 
 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 22/10/2007


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras