C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


AMARGA VISITA
Hoje eu fui ver a antiga companhia
Que foi a dona dos meus sentimentos
E ao relembrar de alguns dos mil momentos
Chorei horrores na lápide fria.
Senti-me inerte, por que tal castigo?
Quanta impotência temos ante à morte;
- Vermos quem já foi nosso sul e o norte
Virando lama dentro de um jazigo.
Plantei ali algumas margaridas,
Como me lembro - Suas preferidas!
E alguém na certa há de notar depois
Que a minha foto estará junto à dela
E as margaridas, feito uma capela,
Sombrearão o túmulo dos dois.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 17/10/2007
Alterado em 02/11/2014 Comentários
|