C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


TEU MEDO Eu sinto que me queres, mas o medo impera Em cada gesto teu e em todo grito oculto E enquanto tu contemplas meu humilde vulto Eu faço do teu vulto a minha primavera. Evitas me olhar e quando assim o fazes Não deixas que eu perceba, és por demais discreta E assim vamos comendo essa fruta secreta Nas ceias solitárias das paixões fugazes. Quando não me procuras saio à tua caça, Bebendo o negro fel na taça da desgraça Com a flecha da saudade me cortando o peito... E estás em cada gesto meu, cada atitude! Amar-te mais que devo é a maior virtude E não ter-te em meus braços, meu maior defeito... Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 13/10/2007
Alterado em 15/07/2011 Comentários
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