C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


DUAS ALMAS

Quando a alma carente e entristecida
Temendo nova dor - Do mundo some...
Eis que surge outra alma mais sofrida
Buscando saciar à mesma fome...

E deglutindo o choro, outrora pênsil,
Os lábios com a leveza de um veludo
Se tocam, possuindo-se em silêncio
E os olhos dessas almas dizem tudo...

Serenas, sorridentes e encantadas,
As duas hoje estão enamoradas
E seguem radiantes e felizes...

- Redescobrindo o amor que lhes faltava,
- Ceifando à solidão que as assolava,
- Fazendo das feridas cicatrizes...

 

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 03/10/2007


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras