C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


A NOIVA
Deita-se em minha cama e jura em reboliço
Que foge de outra boca e só se encontra em mim,
Arrependida desde o dia em que seu “sim”
Celebrou, sem cautela, um falso compromisso...
Aquele que lhe dá carinhos sem medida,
E pisa onde ela manda, a ama e nada mais...
Perde-se nas viagens pré-nupciais
Sem saber que esse amor lhe arruinará a vida...
E o pior de tudo é que nesse meu ângulo
Eu também sofro nesse maldito triângulo
Amoroso, e absorvo a dor que me definha
Com uma vontade louca de ficar com ela,
Mas temo exterminar a vida dele ou dela,
Ou no futuro, a noiva exterminar a minha...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 11/08/2007
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