C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


DESTINO
Morávamos no mesmo bairro (a alguns andares)
Estudávamos na mesma classe, a mesma escola,
Brincávamos das mesmas coisas: corda e bola,
Passávamos as férias nos mesmos lugares.
Nadávamos no mesmo rio (ai, que saudades)
Sorríamos dos mesmos infantis motivos...
Íamos p’ros vizinhos (nem sei se estão vivos)
Assistir à tv (quantas felicidades).
Separamo-nos... Mesmo em rumos diferentes
Sabíamos que eu tinha o amor que ainda sentes
E que eu ainda sinto, aliás, nós sentimos...
Buscando em bocas, beijos que seriam nossos,
Dormindo com intrusos e roendo os ossos
Que sobraram da ceia que não consumimos.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 27/07/2007
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