C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


BONECA DE OURO
Eu guardo em minha boca, ainda, o gosto teu
Deixado pelos ósculos puros e afáveis
Em noites de glamour e amor intermináveis
Que vivem no calor de quem não te esqueceu.
Meu anjo cobiçado, és meu maior tesoiro!
E eu bebo em tua boca o muco dos desejos,
Petrificado pela fúria dos teus beijos,
Domado e entrelaçado nos teus fios d’ouro.
Ninfeta inconseqüente e por vezes insana...
Minha boneca impúbere de porcelana
Que enfeita a solidão e a dor dos dias meus...
Meus olhos só se encontram nos teus olhos lindos,
Meu corpo só se entrega aos teus dengos infindos,
E os meus lábios são doidos pelos lábios teus.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 26/07/2007
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