C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


IDAS E VINDAS
Lá vem você de novo com esse jeito impuro Que me desarma e faz com que eu logo me esqueça De tudo que foi dito e me enche a cabeça Com palavras de amor que me deixam seguro. E lá vou eu de novo em tudo acreditar Correndo pros seus braços e dando o perdão A quem só vive a maltratar meu coração E depois se arrepende e pede pra voltar. E nessa maratona de idas e vindas Eu amo, odeio e vivo em quimeras infindas E pra me libertar nem uma palha eu movo... Sem saber quem de nós possui menor valor: - Você que sempre está ferindo o meu amor, - Ou eu por lhe aceitar dentro de mim, de novo! Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 11/07/2007
Alterado em 12/02/2015 Comentários
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