C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

RABISCO...


Embora eu já não faça parte do porvir
Que outrora nos lançava ao mundo da magia...
Senti-me no dever de vir me despedir
De quem já foi meu bem mais precioso um dia...

Estendo-te minha mão, a mesma que afagava
Teu rosto e teus cabelos quando tu dormias
No calor do meu peito enquanto eu te ninava
Ao som embalador de doces melodias...

E agora que eu pensava ser o fim de tudo,
O teu olhar me paralisa e eu fico mudo,
Sem fôlego, sem rumo, inerte e sem noção!

Se deres um sorriso de “canto de boca”
Eu rasgo esse rabisco e numa fúria louca
Atiro-me (de novo) no teu coração...

(Nizardo)
Direitos autorais.
Xerinho.[;)]
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 17/04/2007


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