C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


SEDUTORA

O plasma seminal insípido e incessante
Que mina por detrás de tão lindos tecidos
Extrai sonhos, delírios, gritos e gemidos
Irradiando o odor da fêmea dominante.

Os seus lábios carnudos dão guarida à língua
Voraz, lasciva, insana, ardente e suculenta
Que nutre mil fetiches mas não alimenta
Leões esfomeados que morrem à míngua.

Ah! se eu pudesse ser numa última cobiça
Ao menos os chinelos dessa que me atiça
E faz com que eu me atire, às cegas, nesse abismo...

Sentindo o cavalgar num frenesi sem fim
do corpo preso aos pés pisando sobre mim
No acme devasso do ilusionismo.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 03/04/2007
Alterado em 17/07/2015


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