C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


FLOR DE OUTONO
És tu a flor mais linda dos jardins do outono A perfumar as mãos de quem por um momento Regou a doce muda do teu sentimento E num prazer divino se sentiu teu dono... Adentro o verticilo interno dessa flor, Fazendo uma catarse na permutação, E enquanto eu bebo o néctar dessa paixão Injeto no teu íntimo gotas de amor... E nessa simbiose incôndita e fremente Eu cheiro tuas pétalas suavemente Absorvendo a seiva vinda dos orvalhos... Sentindo em minha boca o suco condensado Advindo do invólucro santificado Que eu sugo prazerosamente entre teus galhos... (Nizardo) Poesia registrada. Xerinho.[;)]
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 02/04/2007
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