C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

CORAÇÃO DE PEDRA


A arte de doar-se, faz-se ausente...
E o medo de sofrer - Quase iminente!
Enclaustra em nosso peito a cruz, que medra...
E a sombra da carência ou desatino,
Talvez por ironia do destino,
Nos acorrenta a  um "Coração de perda"

E este, é implacável, narcisista,
Incoerente, frio e calculista,
Habilidoso, borrascoso e fútil,
E nossos beijos nunca tem sabor,
Nossos carinhos morrem, sem valor,
E o nosso amor tão grande...É tão inútil!

Nos escraviza, nos pisa, nos cobra.
E no entanto ele jamais se dobra,
Aos nossos gostos, nossos sentimentos...
E só está feliz, se nos massacra,
Nos conduzindo  nessa "Via-sacra"
Até o vale dos ressentimentos...

Foi-se a beleza, o gozo, a mocidade...
O que nos resta é berço de saudade,
Com travesseiros frios, de agonia,
E os cobertores da tristeza infinda,
Achando pouco,  asfixia ainda,
Algum remoto sinal de alegria...

O coração de pedra é traiçoeiro,
Nunca nos mostra o lado verdadeiro,
Vive em seu mundo, viu, profano e louco,
E enquanto nós doamos nossas vidas,
Ele nos abre mais de cem feridas,
Ceifando nossas almas pouco a pouco...

(Nizardo)
Poesia registrada.
Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 23/03/2007


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