C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


AMOR FELINO...
AMOR FELINO
Me sintas junto a ti, n'um frenesi profundo, Buscando à tua língua numa fúria louca... Sorvendo o doce mel, no céu da tua boca... Fazendo o teu gemido despertar o mundo... Sou macho, sou felino, sou gato fugaz Sou rude e sou romântico, teu louco amante... Sou teu e tu és minha a partir do instante, Que a loba que te habita se tornar voraz... Meus lábios nos teus lábios, prendo-te no abraço... As coxas que se roçam, num calor devasso, Libertam-nos da jaula e das cruéis amarras... Deixando que eu te rasgue, enfim, que eu te possua... Arranques minha pele e, eu morderei a tua... Deixando que esse amor se esfole em nossas garras... (Nizardo) Poesia registrada. Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 16/03/2007
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