C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


NOSTALGIA
Há meses que eu não sinto a paz tão esperada Roçando o punho inerte dessa horrenda rede, Restando-me o balanço do pé na parede Enquanto o dia desvirgina à madrugada... Entre um cigarro e outro que me mata aos poucos Entrego-me às lembranças e às s melancolias Perdido entre bilhetes e fotografias Que me mantém seguro no mundo dos loucos... E muitas vezes, nesse cadafalso exótico Escuto a tua voz, num surto psicótico Rasgando esse silêncio que baixinho chora... E chego a ver teu vulto que o meu peito arrasa, Trazendo vida nova à nossa triste casa Que virou manicômio quando foste embora... (Nizardo) Poesia registrada. Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 03/03/2007
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