C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

SOLIDÃO A DOIS...


A genitora mor de todas as feridas,
Assola, desatina e agride o coração...
E é esse, o maior câncer, que dissipa vidas,
Lançando pobres almas à desilusão...

Se chama "solidão", e a dor vem em anexo!
Produz insônia, tédio, mágoas e desgosto...
Nem beijos, nem abraços, nem tampouco sexo,
Revertem o sabor do fel, por ela imposto!

Começa pequenina, e aos poucos vai crescendo...
Se aloja, se propaga e vai nos corroendo,
Sem nunca nos dar chances de escapar depois...

...E tece um triste "ninho", feito de amargura,
"Gerando" em nossa alma triste criatura,
Que tem um triste nome: "solidão a dois"...

(Nizardo)
Poesia registrada.
Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 26/02/2007


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