C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


INFERNO AZUL (parabéns, orkut)
No espaço virtual de um mundo suscetível O monstro imaginário usurpa a realidade, E a impostura veste a beca da verdade Passando a desfrutar do logro coercível... A crise existencial se alia à agripnia Buscando vulgarmente a auto-afirmação, E as mentes aviltadas dão-se à emoção Nociva e patológica que ludibria... Como fazer brotar paixão entre fantasmas? Se não vemos os núcleos, nem os citoplasmas Das células que estão por trás de um monitor! E esse sentimento sem nomenclatura, Produto da carência, demência ou loucura, Não terá seu registro no livro do amor... (Nizardo) Poesia registrada. Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 06/02/2007
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