C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

LÁGRIMAS...


Pressinto, mas evito que os sádicos vejam
Teu riso ou teu clamor quando te falta à fala,
Pois quando a tua boca trêmula se cala,
Teu coração te trai e os olhos lacrimejam...

Mas tentas me poupar da cruz que te acompanha
Dizendo-me que choras de contentamento...
E eu sofro duas vezes naquele momento
Fingindo não sentir a dor que te abocanha...

E uso o meu sorriso maquiando pranto,
Pra não causar transtorno a quem já chora tanto
E tenta me enganar dizendo que está rindo...

E assim seguimos juntos, ambos a mentir;
- Teus olhos a chorar, tua boca a sorrir...
- Meus olhos a sorrir, e o coração mentindo...

(Nizardo)
Poesia registrada.
Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 31/01/2007


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