C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


SONHO DOURADO...
Sonhei com os teus carinhos...Trazendo-me à tona Profundas e dulcíssimas reminiscências, Obrigando-me a fazer diversas diligências Buscando o odor do amor da minha antiga dona... Juntei saudade, mimos, dengos e agrados, E além de algumas flores e frases escritas, Palavras que não foram, mas seriam ditas Em ósculos sedentos e embalsamados... Mas a cruel saudade que em meu peito arde, Diz-me que busco em vão à musa, pois é tarde Para voltar no tempo e remendar cristais... Mandando que eu me sente à mesa da saudade; - O prato principal é a fatalidade... - Regado à ptialina que eu não terei mais... (Nizardo) Poesia registrada. Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 27/01/2007
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