C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

TELA FRIA...

Devoro teu sorriso e assim me lanço ao céu
Por entre os labirintos desse monitor...
E movo este dançante e gélido cursor
Circunferenciando teus lábios de mel...

Porém a insanidade muitas vezes chega
A admoestar à alma aberta em chagas
Cortada pelas lâminas de mil adagas,
No açougue virtual dessa tragédia grega...

E a boca salivante rege o olhar estático
Que adentra e violenta o invólucro fantástico,
Sulcando o coração em cada vã planície...

Rompendo e corrompendo paralelamente
O odor do amor que morre gradativamente
No leito crucial da letal superfície...

(Nizardo)
Poesia registrada.
Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 08/01/2007


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