C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


GLOSA
MOTE
DOS MIL AMORES QUE TU POSSUISTE TALVEZ EU SEJA O ÚNICO QUE RESTA GLOSA Teu coração teimoso ainda insiste Em se enganar vagando entre os emplastros, Escavacando e procurando rastros DOS MIL AMORES QUE TU POSSUISTE Eu sei que a alma amarga não desiste De procurar raios de luz na fresta, Mas te garanto e meu amor atesta A antiga chama inda reluz desejos, Pois dos que foram mendigar teus beijos TALVEZ EU SEJA O ÚNICO QUE RESTA. (Nizardo) Poesia registrada. Bom domingo.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 07/01/2007
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