C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


RETROSPECTIVA
Trezentos e sessenta e cinco dias Se passam, sem deixar que percebamos O quanto nós sorrimos ou choramos Diante de amor, dor, fé e alegria... E a nossa vida foi-se e nem nos disse Que a mocidade é sonho que se afasta, Deixando um rastro de ilusão nefasta, Que embalará a inércia da velhice... E na carência, tudo nos transtorna... Qualquer migalha de amor nos suborna, Nos transportando ao gozo do apogeu... E quantos corações morrerão frios, Carpindo seus anseios, seus vazios, Ao lado de quem nunca os mereceu... (Nizardo) Poesia registrada.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 26/12/2006
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