C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


À REVELIA
A dor que se debruça em meus olhos vermelhos Senta-se no batente da desesperança Sentindo a tua falta feito uma criança Com os cotovelos rotos sobre os meus joelhos.
E nada me apetece e nem sequer socorre Um peito dolorido e a alma aberta em chagas No calabouço escuro de esponjosas pragas Lambendo um coração que à revelia morre.
A alma se definha e poucas vezes sonha, Tornara-se ignóbil, perdera a vergonha E parece gozar nessa ilusão fascista
Onde quanto mais sofre mais feliz se torna E quanto mais apanha mais ama e contorna Seus lábios no tesão do coito masoquista. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 09/05/2008
Alterado em 17/02/2015 Comentários
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