C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


ALMA SUBMISSA

 

Rastejo feito um verme em busca dos teus beijos

Mendigando em tua língua restos de doçura

E a minha fraca e rígida musculatura

Contenta-se em sofrer morrendo de desejos...

 

Escrava inconseqüente que corrompe a túnica

Do zelo, da moral e isenta de amor próprio

Minh'alma se corrompe nesse amor impróprio

E cai nessa paixão doente de mão única...

 

Parcialmente inerte sofro acorrentada

À vida, que resume o meu viver em nada

E ao ver o meu martírio tu nem te incomodas...

 

Que se cumpra o destino que a mim foi imposto;

- Com lágrimas de sangue a lavarem meu rosto

Fazendo lagos tristes sobre duas rodas...

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 30/04/2008
Alterado em 17/12/2010


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras