C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


COLHEITA MALDITA
Vivendo na penumbra e à beira da demência Que me esfacela a alma e a torna silenciosa Morrerei de uma forma lenta e dolorosa E serei sepultado em minha consciência. Cambaleante eu sigo – Féretro insepulto! Sem forças pra lutar contra o que me derrota E sigo o mapa errôneo que me mostra a rota Dos vales demoníacos, e aos céus insulto. Não vejo nada além de um tenebroso prado Onde o meu coração plantara no passado As mudas soberanas da felicidade Porém fora tragado pela insegurança E ao regar a tal horta com desconfiança Têm hoje em suas mãos os frutos da saudade. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 27/04/2008
Alterado em 07/05/2017 Comentários
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