C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


MASOQUISMO...
 
Se eu me amasse um terço do amor doentio
Que eu te dedico e fico em teu viver ausente
Eu não seria esse insano dependente
E nem passava noites a tremer de frio...
 
Porém meu coração demente e indeciso
Insiste em te adorar e ignorar teus erros
Fazendo-me gemer na cama dos desterros
Queimando o que sobrou do que já foi juízo.
 
E quando tu me beijas eu me prostituo
Jogando pelo ralo as forças que possuo
Deixando-te fazer de mim gato e sapato...
 
Num jogo singular de descontentamentos
Em que a felicidade existe nos momentos
Onde a gata opressora desintegra o rato...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 21/04/2008
Alterado em 21/04/2008


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