C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ANJO TRAÍDO...
Num mundo ignóbil e vil onde a maldade impera, Às vezes o carrasco senta à nossa mesa Privando-nos de qualquer chance de defesa Ao se vestir de ovelha e incorporar a fera...
Carpimos a impotência de havermos perdido Um ser celestial de auréola cristalina Ceifada pela mão malévola e ferina Que soltou nessa infante um monstro adormecido.
Na flor da juventude e cheia de alegria Essa linda criança envolta na magia Queimou-se em corações que semeavam brasas...
E ao ter a sua doce infância interrompida Por seres bestiais que lhe furtaram a vida Ela rumou pro céu batendo as suas asas... Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 21/04/2008
Alterado em 22/04/2008 Comentários
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