C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


NOSTALGIA...
 
Nem sei se deveria te dizer, mas sinto
Uma imensa saudade quando de ti lembro
E consequentemente, tolo, ainda relembro
Do amor que tu sentias e que eu inda sinto.
 
Guardei algumas fotos, livros e lembretes
Que um dia foram peças do nosso cenário,
O perfume que deste em meu aniversário
E que eu sempre o usava a perfumar bilhetes.
 
Depois que foste embora tudo transformou-se;
O gato foi embora o cachorro calou-se
E a casa é hoje um triste e opaco cativeiro...
 
Onde restou no vácuo desse furacão
Um homem submerso na recordação
E um papagaio mudo em cima de um puleiro.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 21/04/2008
Alterado em 21/04/2008


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