C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


REFÉM...
Deixei-me ser tragado pelo medo oculto Que há tempos me sondava e nem sequer eu via Permitindo que o tédio e a monotonia Fizessem moradia em meu tristonho vulto.
Distante dos teus beijos só há soledade E eu vivo por viver morrendo todo dia No leito crucial da minha cama fria Coberto com os lençóis ferinos da saudade...
Fui vítima da minha própria covardia Que me impediu de te dizer o que eu sentia Nas gélidas bancadas do meu coração...
E hoje eu sou refém do crucial revés; - Seguindo pela vida andando com os teus pés E blefando no amor indo de mão em mão...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 06/04/2008
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