C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


CHAGAS OCULTAS...
A boca que dissera um dia aquele “sim” Afasta-se da minha e foge dos meus beijos E tolhe a antiga chama feita de desejos Celebrando o princípio de um espaçoso fim. O silêncio alimenta o nosso desengano E os nossos corpos nem sentem mais atração, Pois mais que nós forcemos não há mais tesão Que aqueça a nossa cama – Túmulo de pano! Às vezes eu me pego olhando a aliança E fatalmente vem a pálida lembrança (Fazendo com que eu chore, fique triste e pare) De alguém que nos dissera num lugar qualquer: - Então eu vos declaro marido e mulher Até que um dia a negra morte vos separe! Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 26/03/2008
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