C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


AMOR DEMENTE...
Quando se pede a alguém um amor que só existe Na mente de quem pede a quem nem mesmo sente Vontade de doar-se prazerosamente E se tornar feliz, já que perece triste. Implode-se um sonho quem nem mesmo tinha Nascido em fantasias da alma cobiçada E a chama se apaga transformando em nada Uma paixão que há muito tempo se mantinha. E já que nada vive em quem de amor tombou Não deve se chorar, o que passou, passou Sem deixar rastro, mágoas ou ressentimentos... Que siga cada qual em rumos diferentes; - Um tentando livrar-se de paixões dementes - E o outro a cumprir pena em mortos sentimentos. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 16/03/2008
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