C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


CICLOTÍMICO Às vezes, sou angústia e solidão Um poço de tristeza e abandono Um Rei que não tem súditos, nem trono Um vulto a se embrenhar na multidão. A trama neuronal e efervescente Navega entre a tragédia e o lirismo E vai desde o mais tenebroso abismo Ao inescalável cume onipotente. Sou porto lenitivo de ternura Sou caos, um labirinto de amargura Sou bênção, maldição, sou o pecado Um ignóbil Ser que não se entende U'a página em branco que depende Da tinta de um juízo perturbado. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 30/09/2026
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