C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


AMOR DECREPTO Cambaleante, em passos lentos e enfadonhos Sentou-se na poltrona, do canto da sala Apoiou suas mãos cansadas na bengala E pôs-se a escavocar o mausoléu dos sonhos. Visitou cada ferétro, outrora lacrado Naquela enorme tumba, uma visão de horrores! Vestígios de alguns círios, coroas de flores E o crematório em luz, com as cinzas do passado. Lágrimas lhe encharcaram o rosto e entre soluços Ajoelhou-se, olhou-se, deitou-se de bruços E o último suspiro dedicou a alguém Que no lago sombrio de areia movediça Mergulhou sua alma, que virou carniça Rendida ao ostracismo e se afogou também. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 29/09/2026
Alterado em 29/09/2026 Comentários
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