C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


REMENDOS Tu foste a minha última decepção E esta me ensinou, dentre outras duras regras Que na receita oculta no ópio das entregas Todo amor se incinera em forno de emoções. A noite acolhe em seus sombrios botequins Poetas mergulhados nos seus precipícios Escrevendo com dor; -Se existem maus princípios Que morram de tristeza em dolorosos fins! E cada nova faca afiada que lhe corta É mais u'a cicatriz e a mente de conforta Restaurando-se em seus recônditos porões E assim, de volta ao mundo dos versos profanos O espírito se ergue, se cura dos danos E sai à eterna caça de outras ilusões. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 26/09/2026
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