C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


NÁUFRAGO

Num tétrico oceano turbulento e esquálido

Me encontro na centrífuga de um cataclismo

Onde somente o beijo frio do cinismo

Se acopla à sordidez do meu coração pálido.

Isento de ilusões, apegos e amplexos

Submergido em caos telúrico procedo

Em prantos horrorosos sob a luz do medo

Gerado nas entranhas de amargos complexos.

O antes e o depois me prendem numa teia,

Já que o primeiro grita, assombra e stalkeia

Desde a flor da nascente ao princípio do fim

Enquanto que o segundo, me aplica glicose

De amor-próprio me injeta escandalosa dose

E assiste com orgulho o que sobrou de mim.

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 26/09/2026


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