C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


Viúva-negra

A tua alma fria e envolvente

Finge pedir cuidados e após

De recebê-los, tece vários nós

Esfacelado o coração carente.

Pobre de quem te endeusa em pedestal

Fazendo dele a nau da divindade

Regando da flor da infelicidade

Que ao cheirá-la, lhe será letal.

Fui um a quem juraste ser fiel

Melando a minha boca com teu mel

E me extraindo o tão devasso leite

O vil sabor daquele amor orgástico

Morreu na trama do teu gozo sádico

Por santa obssessão, puro deleite.

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 24/09/2026


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