C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


Abismo...

Não posso acorrentar-te ao pé da minha cama

Causando-te tristeza, angústia e desconforto

Forçando um coração inerte e quase morto

A ultrajar-se e, em prantos, jurar que me ama.

Pior do que partires foi por cá deixares

As pálidas lembranças que eu as alimento

Com o fluxo sanguíneo do meu sentimento

Que hoje falece à míngua e à sombra dos pesares.

Bebi a tua essência, em mim tornou-se um vício...

Sentado, estou à beira desse precipício

Que me tirou da alma o sossego fraterno

Meu âmago sentiu-se em paz sob teu véu

Que outrora se tornou o inferno do meu céu

E hoje é o formidável céu do meu inferno.

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 22/09/2026


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