C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


Maldito Bilhete... Peguei o trem errado e tudo bem Procurarei descer o quanto antes Em vem de ir a caminhos distantes Que eu não desejo conhecer também. Nada é em vão, se eu vim até aqui Aproveitei paisagens, novos ares Limpei a vista e apesar dos pesares Nada perdeu-se e eu tudo absorvi. O que tiver de ser meu, vem no vento E o que não me pertence, o pensamento Vai diluir e em lágrimas verter E que a lição ensine a este otário Que antes de entrar, confira o itinerário Escrito em trens, que eu hei de conhecer. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 21/09/2026
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