C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


À queima-roupa…

Retirei meu colete à prova de balas

Guardei meu armamento e me sentei à frente

Do teu divino vulto, ouvindo calmamente

Tuas pregressas laudas, através de falas.

Tão vulnerável estavas e tão à vontade

Que do baú de dor, rompeste o cadeado

E tudo me foi dito, nada foi negado

Após servir-me o suco da tua verdade.

Meu cobertor de paz te deu amparo e calma

Usei as minhas lágrimas, lavei-te a alma

Sendo em tua bandeira a lenitiva haste

E mal sabia eu, que uma mão escondida

Às tuas costas, ceifaria a minha vida

Pois sem nenhum remorso, sorrindo atiraste!

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 20/09/2026


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras