C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


Epítome Que possas decifrar nas vastas entrelinhas O que nunca se diz em santa lucidez E se deres notícias, meu amor, talvez Meu coração se curve e dê notícias minhas. E se ao final da lida, nada me for dito O epílogo sombrio, justificado está Lacrarei minha boca, que nada dirá E pelo punho hostil nada será escrito. Com a alma exposta à sorte, subscrevo em ânsia Recolho-me à minha insignificância E eu nunca mais me ofusque à luz dos olhos teus De modo que os meus olhos nunca mais te vejam E a boca lance cuspe às bocas que te beijam... Sem mais para o momento, saudações, adeus! Nixardo Wanderley Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 17/09/2026
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