C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

1832970.jpg

Epítome

Que possas decifrar nas vastas entrelinhas

O que nunca se diz em santa lucidez

E se deres notícias, meu amor, talvez

Meu coração se curve e dê notícias minhas.

E se ao final da lida, nada me for dito

O epílogo sombrio, justificado está

Lacrarei minha boca, que nada dirá

E pelo punho hostil nada será escrito.

Com a alma exposta à sorte, subscrevo em ânsia

Recolho-me à minha insignificância

E eu nunca mais me ofusque à luz dos olhos teus

De modo que os meus olhos nunca mais te vejam

E a boca lance cuspe às bocas que te beijam...

Sem mais para o momento, saudações, adeus!

Nixardo Wanderley

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 17/09/2026


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras