C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


Negra estrofe… Prostrado à fria mesa de necropsia Devo ouvir do legista (Em última cobiça) Aos risos, explanar: Retalho essa carniça Espurca, que viveu do jeito que queria. Para onde irei, não sei, o rumo pouco importa! O cangalheiro, sob um lindo e escuro terno Me acomoda no féretro - Berço fraterno E parafusa a minha derradeira porta. À frente, quatro mãos que ilustram o cenário Pilotarão o envelope funerário Ao campo santo, em sons de canto e prantos calmos E afagarão a face, junto a alguns amplexos, Do reles menestrel de métodos complexos Que lacra escrivaninha sob sete palmos. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 17/09/2026
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