C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

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Feto

Sou sobra dos retalhos rasgados na infância

Que ao fogo da batalha se auto costuraram

Tecendo uma armadura por onde passaram

Partículas da minha insignificância.

Por vezes degluti cicuta em negra taça

Saboreando o fel servido com esplendor

Pra digerir fatidicas nesgas de dor

No vasto labirinto da minha desgraça.

Forjei-me na implosão da pálida existência

Incinerei o baú da insana consciência

E feito tartaruga restaurei meu casco

A trama neuronal gerou em ventre oculto

Um inabalável, astuto e monstruoso vulto

Que ontem foi promovido e hoje virou carrasco.

Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 13/09/2026
Alterado em 13/09/2026


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