C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


Epílogo Um corpo rastejante sob a luz sombria De um inóspito deserto que ali testemunha O sangue paulatino por baixo da unha Que forma um passadiço pra sua agonia. O coração se engelha num tição de brasa E os pensamentos vãos, insanos e intrusivos Sequestram sua alma do mundo dos vivos E o féretro desfaz-se numa cova rasa. Aos poucos sumirá seu estro, em cada verso Composto em tristes laudas onde o universo Profere o seu desdém num veredito empáfio A cortina se fecha, a tragédia se encerra E mão presa a caneta, enfim, se rende à terra Sem pranto, espanto, manto, canto ou epitáfio. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 12/09/2026
Alterado em 12/09/2026 Comentários
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