C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


À espreita... Sou um paciente em fila de transplante Agonizante, arfante e invisível À espera da doação compatível Que ora parece tão de mim distante. Sobrou-me à vida viscerais fatias Servidas no banquete frio do asco; - Última ceia , talvez, que o carrasco Permitirá, ante o fim dos meus dias! Se foi em vão a derradeira luta Sento-me ao solo e me sento à espera Da extrema-unção da mão da besta-fera Enquanto a outra me cede cicuta. Corvos imitam sons de bandolins Ao celebrarem começos e fins Que se embaralham em fétidos porões Almas derretem-se no fogo que arde E a voz do algoz ordena: Vão, é tarde, Não há mudanças, nem transformações! Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 07/09/2026
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