C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


 Ninfeta

No coração da nina ingênua e sonhadora

Desabrolhava a flor mais nobre da roseira,

Seu fruto sensual, sua paixão primeira,

Austera, radiante e avassaladora.

 

Seu corpo se despira em manjedoura ardente

E as carnes tremulavam na disritmia

Da seiva que que ensopava o pedestal da orgia

Rompendo-se a membrana paulatinamente.

 

E os lábios virginais, antes, jamais tocados

Acompanhavam línguas, tão despudorados

Que deslisavam no suor de anfetaminas

 

Os corpos atingiam à homogeneidade,

Seus urros despertavam cada divindade

Do olimpo, fortaleza das greco-latinas!

 

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 07/09/2026
Alterado em 07/09/2026


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