C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


MENINA FLOR
Quem dera eu me perder na imensidão fagueira
Achando-me depois na fonte dos desejos
Onde eu mergulho e roubo suculentos beijos
Dos lábios dessa diva austera e feiticeira.
Sua pele aveludada exala a substância
Que me embriaga o ego ousado e sonhador
Buscando absorver o néctar da flor
Guardada no calor da sua reentrância.
E eis que na distância o meu olhar vagueia
Na chama dessa boca que arde e incendeia
A minha mão ardente que almeja tocá-la
Mas hei de padecer e me exaurir à míngua
Sentindo o seu sabor no ardor da minha língua
Nas quimeras secretas sem poder beijá-la.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 29/01/2008
Alterado em 21/02/2015 Comentários
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